Tenho uma superstição.
É a superstição tola dos optimistas.
Se a coisa está má. Não pode ficar pior.
Sendo uma superstição.
Tola.
É sempre.
Categoricamente desmentida.
Pela certeza.
Certeira.
Dos pessimistas.
Se a coisa está má. É mais que certo que ficará pior.
Estamos.
As lentes que me costumam colorir os dias não se têm visto.
Conheci as sombras.
Como se (des) faz?
Não sei.
Ninguém me ensinou.
Sempre achei que ser VERDADEIRA bastava.
Que a confiança se construía na cumplicidade.
Nos risos partilhados.
Nas músicas preferidas.
Nos filmes aos Domingos.
Nas conversas de "rapariga".
Assim não é.
Mistérios escondidos atrás de olhos que conheço bem.
Sempre ali estiveram.
Bem sei.
Nunca quis ver.
Na minha cegueira branda e branca.
Crescer.
"Vai dar tempo para aprender."
Cinderela.
Nos Contos:
Há sempre uma bruxa.
No conto a bruxa sou eu.
Não me sinto bruxa.
Sempre achei que era fada.
Talvez pela cor dos meus olhos.
Talvez pela limpidez do que sou.
What you see is what you get.
E é isso que não entendo.
De onde veio essa mágoa.
Esta mágoa.
O meu Amor é inteiro.
Sem falhas.
Nem fugas.
Sempre e para sempre.
A tristeza de tudo isto.
A singeleza de tudo isto.
Alguém cresce.
Não se escolhe.
Alguém envelhece.
Sem escolher.
A VIDA corre entre os teus e os meus dedos.
Em algum lugar do caminho nos encontraremos.
Tu com as tuas cicatrizes.
Eu com os meus arranhões.
Encontraremos paz.
Ficaremos em paz.
Tu e eu.
Eu e tu.
Ámen.
Que assim seja.
Hoje Não.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Quinta-feira 5 e Fevereiro de 2009






Tudo em tudo.
Foi um bom dia.
Há uns tempos procurou-me uma pessoa que desejava "falar-me em confidência".
Achei graça porque me falam sempre "em confidência".
Ao Padre.
Ao Médico.
Ao Advogado.
A "confidência" era uma confissão.
Existia um crime.
Pelo menos assim é tipificado pelo Código.
Num dos meus "repentes" decidi VER.
Hoje ficou resolvido.
De uma maneira verdadeiramente justa.
Equitativa.
Foi uma solução de DIREITO.
Também de bom-senso.
Para que acontecesse foi necessário:
Diálogo.
Entendimento.
Confiança.
Vontade.
Um Comandante de Posto (GNR).
Uma Procuradora.
Uma Advogada.
Um Arguido.
Uma Senhora Funcionária.
Uma Cidade pequena.
Um Comandante de Posto.
Soldado da GNR.
De botas desconfortáveis.
Farda fria.
Computador pré-histórico.
A impressora era dele próprio.
Olhos perfeitamente azuis.
Uma Procuradora.
Nova.
Nos três sentidos.
Uma menina.
Nova na Comarca.
Nova na profissão.
Olhos inteligentes.
Uma Advogada.
Velha.
Que só tem por si o seu passado.
Esta Procuradora não sabe quem sou.
Outros sabem.
Talvez (mais) experiente.
Talvez hábil.
Talvez "palavrosa".
Talvez convincente.
Olhos meus.
Um Arguido.
Arrependido.
Verdadeiramente.
Olhos descolorados.
Um crime "bagatelar".
Uma Senhora Funcionária.
Trabalha muitas horas.
Sem ser paga.
Já lhe fiz "companhia" num Sábado.
Tinha havido uma morte na rua.
Quando isso acontece o Procurador tem de ser chamado.
Há sempre um de "turno".
A Funcionária também tem de vir.
Nesse Sábado também eu de "turno".
Ficámos TODO o dia.
Comemos "barritas" e chocolates.
Bebemos café.
Nunca mais se resolvia a situação.
Não havia médico legista.
O remédio foi mesmo rir.
O Procurador.
Eu.
A Funcionária.
Cada um com as suas histórias.
Coisas que não se esquecem.
Também por isso.
Olhos.
Uma Cidade Pequena.
Porque todos nos "conhecemos".
Numa Cidade Grande talvez fosse difícil chegar a isto.
Possível era.
Está previsto na LEI.
Só é complicado porque "falha" e "falta" TUDO o resto.
Solução:
Suspensão do Inquérito (ainda não existe processo) por alguns meses.
Verifica-se, durante esse tempo, o arrependimento do arguido.
Também a sua "conformação" com o Direito.
O pagamento de uma quantia (a ser determinada pelo Juiz) a favor de uma instituição.
Porque:
Existiu crime.
Bagatelar, mas crime.
Evitou-se:
UM PROCESSO.
Com tudo o que isso acarreta.
Tempo.
Dinheiro.
Mais Tempo.
Mais dinheiro.
Para chegar ao MESMO final.
Os Tribunais estão "entupidos" com crimes desta natureza.
Bagatelas penais.
Que não deixam que as outras coisas "andem".
Têm "prioridade" em relação aos processos Cíveis, por exemplo.
Nesta Comarca não existem Tribunais especializados.
O que implica um trabalho enorme para os Juizes.
Três Juízos de competência geral.
A última vez que fiz um "levantamento" existiam 9.000 (nove mil) processos.
Média de 3.000 (três mil) por Juiz.
Impossível "correrem" TODOS com a celeridade que TODA a gente reclama.
Prioridade:
Arguidos presos.
Crianças.
Crime em geral.
Tudo o resto ESPERA.
E desespera.
Existiu um "castigo" para o crime.
Na medida justa.
Fiquei satisfeita.
Primeira LIÇÃO aprendida na faculdade:
O DIREITO NADA TEM A VER COM A JUSTIÇA.
Querido MESTRE:
(De vez em quando)
ESTÁ ENGANADO!
Hoje Vesti:
Saia a fazer de vestido STEFANEL;
É muito "antiga".
Do tempo em que se usavam saias compridas.
Sou pequena mas gosto muito de saias e vestidos compridos.
Por isso é que não a mandei cortar.
Tenho esperança de que ainda voltem a estar "de moda".
Casaco STEFANEL;
Camisola gola alta NAF-NAF;
Cinto MANGO;
Sapatos ZARA;
Mala GUESS;
P.S: Continuo a PROCURAR blogues.
Não tenho muito tempo para "pesquisar".
Indiquem-me alguns que conheçam e gostem.
OBRIGADA.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Quarta-feira 4 de Fevereiro de 2009








Conhecem o Fausto?
É um cantor português.
Talvez não o conheçam porque é de antes de terem nascido.
Não me lembro quando foi a última vez que "lançou" um disco.
Desconfio que ainda eram de vinil.
Fui "comuna" ("comuna" = comunista) quando era adolescente.
Conto-vos noutra altura.
"Comuna" é o que o marido me chama quando discutimos política.
Cada um no seu campo.
Não se assustem!
Nunca quis a independência da Galiza.
(Embora me tenha divertido muito quando lá fui e, em cada parede, se via escrito: "Galiza não é Espanha" "Galiza não é Portugal" "É PORTOGALIZA")
Nem a independência do País Basco.
Abomino a ETA.
Não acho que Israel seja SATÃ.
Nem acredito no "Socialismo".
Terei sido "comuna" pela IGUALDADE me ser uma ideia querida.
Também para aborrecer a minha mãe.
Histórias!!
Esta canção é desses tempos:
"Atrás dos tempos vêm tempos
eu pego na minha viola
e canto assim esta vida a correr.
Eu sei que é pouco e não consola
nem "cozido à portuguesa" há sequer.
Quem canta sempre se levanta
calados é que podemos cair.(...)
Atrás dos tempos vêm tempos
e outros tempos hão-de vir."
Vem isto a propósito da forma como comecei esta semana.
Esperando o que me (nos) traria.
A que passou foi dolorosa.
Tive de fazer escolhas.
Que nem tinha o "direito" de fazer.
Desapontada.
Comigo.
Mas não só.
Esta não começou melhor.
Com mais ESPERANÇA.
Não melhor.
Todos os dias me aparecem pessoas (mais) desesperadas.
O emprego.
Existem muitas empresas em risco de insolvência no Concelho.
"Créditos" que nunca poderão ser cobrados.
A escola dos filhos.
A prestação da casa.
O carro.
A VIDA de toda a gente.
A prestações.
Estou a ficar sem a capacidade de ACALMAR.
Sem a habilidade de me ACALMAR.
Vejo a "economia" real a desaparecer.
O AMIGO/economista já me tinha "avisado":
"O primeiro trimestre vai ser terrível. Vais ver."
E está a ser.
Pelo mundo inteiro.
A Inglaterra em risco de "falir"?
A Irlanda?
A Espanha e o desemprego.
As Exportações a cair.
E as "trapalhadas" dos que nos governam.
Tudo isto me deixa cansada.
Sem acreditar nos "amanhãs que cantam".
COMO vamos fazer?
O QUE vamos fazer?
O Estado não vai conseguir dar resposta a todas as questões que vão surgir.
Manter os subsídios de desemprego.
Manter os subsídios de inserção social.
Manter os subsídios por doença.
Pagar aos funcionários públicos.
Não liguem.
Sou só eu a ser rabugenta.
Era para ser uma mensagem alegre.
De agradecimento.
Está a tornar-se esta coisa depressiva.
HOJE deram-me um "selo".
"Selo" pode ser um beijo.
Um murro.
"Selar" um acordo.
"Selar" um túmulo.
"Selar" uma amizade.
Quem mo enviou foi a LULU d' "O Admirável Mundo Novo da LULU".
Este "selo" chama-se "Prémio Dardos"
É destinado a:
"Reconhecer os valores que cada blogueiro mostra a cada dia, o seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc.
Em suma, demonstram a sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre as suas letras, entre as suas palavras".
O premiado deve seguir as seguintes instruções:
1. Exibir a imagem do selo no seu blogue
2. Linkar o blogue pelo qual recebeu a indicação
3. Escolher outros blogues a quem entregar o Selo Prémio Dardos
4. Avisar os escolhidos
Estou a tentar seguir as regras.
Já sabem que a "tecnologia" é complicada para mim.
Fiquei surpreendida.
Feliz.
Surpresa.
UAU.
Eu???
OBRIGADA LULU!
de GRANDES OLHOS AZUIS.
Atrás DO grande AMOR.
Numa Pátria que não é a sua Mátria.
Saudade.
Ao DIABO a palavra!
Que a SAUDADE seja só do (seu) FUTURO!
CONFIE.
Maridos são grandes companheiros.
Os Melhores amigos.
Que dizem o que de mais doce há.
Ontem.
Notícias na televisão.
"Quinta da Princesa" - dizia o Senhor.
"AMOR - grita o marido - TENS UMA QUINTA".
E mais não digo.
Beijos.
Falta-me indicar outros blogues.
Falta-me descobri-los.
Hoje Vesti:
Camisola EDC;
Jeans COLCCI;
Casaco de agasalho NAF-NAF;
Cinto MISS SIXTY;
Mala GUESS;
Botas pretas sem marca.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Terça-feira 3 de Fevereiro de 2009




Hoje fiz uma coisa que detesto.
Papelada.
Que estava errada.
E que não fui eu quem começou.
Fora da cidade.
Conduzir.
A chover.
Que este "penico" nunca mais pára!
Podem ver, pela roupa, que o dia não me corria bem.
Até que cheguei ao lugar onde ia.
Como sempre, esperei.
Uma mulher começou a conversar comigo.
Era uma Senhora de idade.
Bonita.
Olhos claros.
Vivos.
Cabelo arranjado.
Toda ela com um ar macio e bem cuidado.
Era viúva.
Tinha vendido "as casas" de Lisboa.
Regressado ao sítio onde tinha crescido.
Ela primeiro.
Eu a seguir.
De novo nos encontrámos.
Noutra fila.
Sorriu-me.
Retribuí.
De repente:
"OH! mas é o Senhor Professor Virgílio".
"Deu-me aulas no Liceu."
Sabe? lá em cima."
"Já deve ter mais de cem anos."
"Vou lá."
"Vou lá cumprimentá-lo"
Foi.
"É o Senhor Professor Virgílio não é?"
Um Senhor majestoso.
Calças vincadas.
Sapatos brilhantes.
Sobretudo azul.
Na justa medida do seus ombros.
Um cachecol, de quadrados, a espreitar.
"Noventa e cinco."
"Senhor Professor."
Nesta altura as mãos da mulher já LHE envolviam as mãos.
" Senhor Professor. Um dia estava a jogar "à macaca" e disse "fizestes".
O Senhor Professor emendou-me:
- Belmira, diz-se "fizeste".
Nunca me esqueci.
Ainda hoje quando alguém diz "fizestes" me "fere" o ouvido.
Senhor Professor."
Eu também tive um professor igual.
Quando me deu aulas já era assim.
Majestoso.
Com um sobretudo à medida do seu corpo seco.
Dizia-me:
Menina.
Menina.
Que me dá à Sintaxe "tratos de polé".
Eu.
Estarrecida.
Para que servia a Sintaxe?
O que lhe "dava" eu?
E se O visse na rua?
Iria ter com ele.
Agarrar-lhe-ia as mãos com as minhas.
Envolvidas.
Bem seguras.
Procurar-lhe-ia os olhos bondosos.
Senhor Professor.
Sou eu.
Aquela que tanto mal fazia à Sintaxe.
E o que é Sintaxe?
E o que é "Polé"?
Lembra-se?
Não ME esqueci.
Como poderia eu?
O que nos trazem os dias?
Queria escrever-vos sobre RITUAIS.
Dou por mim a contar-vos TERNURA.
Até amanhã.
Hoje Vesti:
Correu muito, muito mal.
Acreditem.
Todo o dia NEURA.
Já não havia tempo para trocar.
Nem nenhuma ideia "brilhante".
Saia (vintage? "conta" a partir de quantos anos? VINTE?) LANIDOR;
Camisa branca NAF-NAF;
Casaquinho MANGO;
Cinto MANGO;
Botas sem marca;
Mala MANGO;
Gabardina preta (Que "isto" - o tempo - está impossível! Já estou a ganhar "barbatanas" entre os dedos. E "cogumelos" nas costas. Dizem que é a "evolução".) LANIDOR;
P.S: OUVIRAM?
Vão fechar a "BOA-HORA"!
Não pode ser!
Não se faz.
A Justiça também É o LUGAR onde se pede.
É diferente quando se lê uma Sentença numa sala de Audiências.
Ou num gabinete de um Juiz.
É diferente quando se está num TRIBUNAL.
E quando é uma "repartição".
Não me lixem!
Um "Hotel de Charme".
Mas que país este!
Tudo se vende?
Tudo está em Saldo?
Dignidade?
Sentido de Estado?
Pois. POIS.
É mais "Freeport".
Como dizia um colega:
"Onde se guarda a MEMÓRIA?"
Acrescento:
Sem MEMÓRIA não HÁ futuro.
O FUTURO procura-se no PASSADO.
Só dá vontade de emigrar.
CHIÇA!
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Segunda-feira 2 de Fevereiro de 2009







Início de semana.
Começo de mês.
Vamos ver o que nos reserva?
É CARNAVAL.
Pelo menos aqui.
Na minha casa.
A filha mais velha arranjou um "grupo de costura".
A fantasia é de "alucinação".
Não sei o que é.
A pequena, mais clássica, vai de "gótica".
Perto da cidade onde vivemos existe uma praia onde a tradição do ENTRUDO é cumprida à risca.
Amigas do Brasil:
O vosso CARNAVAL (escrevo, ASSIM, muito grande) terá tido origem neste "entrudo".
O nosso CARNAVAL (ASSIM, pequenino) é uma cópia, tosca, do vosso.
Não gosto desse CARNAVAL.
É de mentira.
Já viram algum português a dançar samba?
Fujam!
Não sabemos. Não temos "ginga".
Tive uma funcionária brasileira.
Eu queria porque queria saber SAMBAR.
Consegui mexer os pés.
Agora o resto...
Ela dizia (mortinha de riso):
"Oiça a música. "Gingue" a anca.
Mas qual anca?
Onde é que isso fica?
É por isto que é penoso assistir aos nossos desfiles de Carnaval.
Rapariguinhas sem "pinga" de "anca" a gingar o que não sabem.
Destapadinhas, em pleno Inverno, sujeitas a apanhar uma gripe.
Ou pior.
Uma pneumonia.
Sem grande sal.
Nem SOL.
Do ENTRUDO, gosto muito!
Cá da "terra", como diria o Variações, tem "um certo encanto".
O ritual começa amanhã.
Com a ida ao S. Brás.
Toda a gente vai de manhã cedo.
Leva comida.
Bebida (muita).
Mantas e abrigos.
Sobe ao "S. Brás" e ali fica.
Come-se.
De fogueiras acesas.
Bebe-se.
Conversa-se.
Canta-se.
Dança-se.
Algumas pessoas (ainda) levam os seus animais.
É um ritual pagão.
Comemora-se o fim do Inverno.
Espera-se o começo da Primavera.
Por isso se acendem fogueiras.
Se bebe muito.
Se faz barulho.
Se leva os animais.
O S. Brás (monte de S. Brás) tem a forma de um falo.
Tem também uma ermida bem lá no cimo.
Seria um local de culto ancestral, que, com o advento do catolicismo, foi "convertido".
As pessoas não se mascaram.
"Ensaiam-se".
Transformam-se.
Trocam-se.
Mulheres em homens.
Homens em mulheres.
Há "Bandas Infernais" que não deixam ninguém dormir.
O barulho é importante.
Serve para "afugentar" os espíritos do Inverno.
E quando, (finalmente!) se forem.
É porque a mãe Terra ficou aplacada.
E será a Ressurreição.
Até Lá:
Chapéus de chuva.
"Bom modo".
E assim, VAMOS.
Hoje vesti:
Casaco LANIDOR;
Saia LANIDOR;
Camisola gola alta LANIDOR;
Sapatos ZARA;
Mala MANGO;
Esta roupa é uma "salva-vidas".
Quando é Segunda-feira, a manhã é muito, muito má.
Já não há tempo.
E tem de ser.
Visto-a.
Gosto, sobretudo, do casaco.
Tem costuras "desfiladas".
Botões com "flores".
Nervuras.
Tachas e bordados.
A saia comprei depois.
Os dois juntos dão-me uma "linha" muito Mary Poppins.
A que acho graça.
Embora concorde que seja um bocadito "pesado".
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Sexta-feira 30 de Janeiro de 2009








A criança vai para uma instituição.
O primeiro passo para uma adopção.
Como me sinto?
Culpada.
Aliviada.
Nem sei.
Não devia envolver-me tanto.
É o que todos me dizem.
Os amigos.
Os/as colegas.
O marido.
O médico.
O senhor que me espeta agulhas.
Como se pode ser o que não se é?
Podia só fazer Fiscal.
Trabalhar com fusões e negócios.
Só papéis.
Sem dilemas.
E mais dinheiro.
Onde iria buscar esta "riqueza"?
Todas as histórias que já ouvi.
Uma "coleccionadora" de histórias.
O Senhor Procurador, a brincar, se me vê nos corredores:
"Então? mais um "inocente"?
Sim Doutora! já sei que os "seus", são todos "inocentes"!
O Senhor Doutor Juiz, num dia de Alegações Finais em que mal se ouvia a minha voz, já depois de termos trocado "picardias" durante o Julgamento, e de lhe ter perguntado, "respeitosamente", se preferia lê-las.
"Por quem é Senhora Doutora! é sempre um prazer ouvi-la!".
E eu a pensar.
"Sacana"!
A rir-me por dentro.
"Sacana, que já me "tramaste"!"
O outro Senhor Doutor Juiz.
Tão comovido.
A olharmos um para o outro.
A Senhora Procuradora.
A Senhora Doutora Juiz.
Eu.
Não deixámos a mulher estrangeira ser expulsa.
Porque Não.
A Senhora Funcionária:
"Doutora, sou eu que vou fazer o "seu" Julgamento. Acha que nos aguentamos?"
E depois não nos aguentamos.
Mas não faz mal.
Porque NINGUÉM naquela sala de Audiências FORMAL:
Bandeira.
Magistrados em fila.
Se aguenta.
Com excepção da Colega da defesa.
Que não mexe um músculo.
O abraço que recebo no final.
Não sei se sou boa ADVOGADA.
Recorro muitas vezes.
Estudo com afinco.
Fui a melhor aluna do meu curso.
ISSO explica QUASE tudo.
Faço o melhor que posso.
Não sendo Juiz faço um juízo prévio.
Aviso que podem existir outras opiniões.
Para procurarem OUTRO colega.
Bom?
Mau?
É o que É.
A AMIGA/Juiz diz que me preocupo demais.
Não é necessário.
Que tudo funciona.
A AMIGA/advogada diz que sou parva.
Que só perco tempo.
E dinheiro.
E peso.
E tenho alergias.
O marido.
Não diz nada.
Conhece-me bem.
Sabe-me melhor.
As filhas têm o seu "Batman" privado.
Desse lado, "levam" com as minhas "crises existenciais".
Só vos posso agradecer.
E dizer:
Só voltarei a contar "coisas" divertidas!
Bom fim-de-semana!
Hoje vesti:
Vestido NAF-NAF;
Camisola gola alta sem marca;
Casaco CASA DAS PELES;
Sapatos MISS SXTY;
Foram fotografados perto da "Viagem do elefante" só para ti, DROPS.
Mala EDC;
Cachecol ZARA;
A Gabardina de flores de ontem:
Comprei na loja da amiga/"trendy".
É MUUUIIITTTOOO "trendy".
Vai a Barcelona. A Paris. A Milão.
Temos conversas sobre "estilo" e ser "português" e o que é "moda portuguesa".
Se existe.
Ou não.
E então?
Existe?
Tem idade para ser minha filha.
Acha os anos 80 "o máximo".
Por favor!
EU ESTIVE LÁ!
Não foram o MÁXIMO.
Era BAAASSSTTTAAANNNTTTEEE mau.
Chumaços enormes.
Tinha uns que se tiravam e punham.
Em TODAS as camisas e camisolas.
Até t-shirts.
Brincos com PENAS.
Cintos e sapatos dourados.
MESMO dourados.
Não só "ligeiramente".
Para não falar nos penteados!
Que a Santa me proteja!
Querem ver que vou voltar a usar "permanente"?
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Quinta-feira 29 de Janeiro de 2009





O dia foi tão mau que devia passar em branco.
Não é assim que funciona.
Por isso aqui estou.
"Fiz" um divórcio.
Na Conservatória.
Mútuo consentimento.
Casados desde 72.
Fácil de fazer.
Difícil de suportar.
Fui a um funeral.
Uma amiga do meu sogro.
Cancro.
Insuportáveis as lembranças.
Ele morreu de cancro.
A minha mãe teve cancro.
Não vou falar disto.
Noutro lugar, talvez.
DECIDI:
NÃO patrocinar as raparigas.
Não estar ao lado delas na sua pretensão.
Consciência.
Honra.
Honrar a minha TOGA.
Honrar-ME.
Tentei falar com elas.
Argumentar.
Fazê-las desistir.
Falei com a irmã da "companheira" da mãe da criança
Já a tinham "convencido" (nas minhas costas, sem me dizerem) a assumir-se como "TUTORA".
A comprometer-se perante o Tribunal que "tomaria conta" da criança até elas terem "condições".
Perguntei-lhe porquê.
"Sou mãe. Não se tira o filho a uma mãe."
Também eu.
Elas NÃO.
Mentem.
Trapaceiam.
Enganam.
Não merecem.
Têm (entre as duas) QUATRO filhos.
Se querem "brincar" às mães, não chega?
Para quê mais um?
Para estar "sinalizada"?
Para quando tiver quatro anos, (ou oito) ir para uma instituição?
Desculpem.
Sei que existem muitas ilusões nesta questão da Adopção.
Digo-vos: crianças com mais de três anos raramente são adoptadas.
Disse-me:
Que tinha dois filhos.
Divorciada.
Ordenado mínimo.
Renda de casa.
EU
Se a entregarem para adopção dão-lhe um futuro.
Branca.
Recém nascida.
Sem problemas de saúde.
Mesmo depois do que a mãe lhe fez.
Há muitos casais que esperam por esta BÊNÇÃO.
Quem sou eu para tomar essa decisão?
Não sou.
Por isso me afastei.
Para não ter nenhum tipo de "poder".
Vou fazer o que puder.
DE FORA.
Estarei a "atraiçoar"?
A faltar aos meus DEVERES deontológicos?
Não sei.
Não estou LÁ dentro a "minar" o processo.
Não estou a pôr-lhe entraves.
Para o bem e para o mal, não estando LÁ, não influencio quem tem o dever de decidir.
Sabem que mais?
O marido entrou aqui agora mesmo.
Quando vos escrevo é sempre "secreto".
Não costuma interromper.
Veio dizer-me.
Encontrei uma coisa que tens de ver.
No you tube.
Tens mesmo de ver.
Fui ver.
Vão também:
Playing for change: song around the world. "Stand by me".
Acho que é um sinal.
OBRIGADA.
Hoje vesti:
Camisa branca ZARA;
Jeans MANGO;
Sapatos PEPE JEANS;
Mala MANGO;
Gabardina de flores COLCCI;
É a que gosto mais.
Foi por isso que a vesti.
Para ficar com outro ânimo.
Já O tenho.
Tenho a minha resposta.
Faz-me SENTIDO.
Não preciso de mais.
Não posso mudar o mundo.
Mas posso perdoar-me a mim.
Beijos.
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